Com a finalidade de atender às necessidades de todos os grupos de potenciais e atuais alunos, as instituições de ensino devem estruturar ações estratégicas de inclusão. Ao mesmo tempo em que semeiam a cultura de acessibilidade em todas as esferas de seus processos. Para isso, é preciso elaborar ações que extrapolam os limites da instituição e atuem como uma referência para toda a comunidade. Confira as nossas 7 dicas de acessibilidade no ensino superior e comece hoje mesmo a planejar e construir uma cultura de inclusão em sua IE! 

Neste conteúdo, você encontrará definições, aplicações, diretrizes e dicas básicas de como construir a cultura de acessibilidade no ensino superior. Como forma de enriquecer a sua experiência, reunimos também algumas sugestões de conteúdos complementares. Boa leitura e ótimos insights!

Introdução

Sem dúvidas, a tecnologia alterou consideravelmente – e irreversivelmente – a forma como o ensino é trabalhado em todo o mundo. Sendo impulsionada principalmente pelas necessidades de adaptação decorridas da pandemia do novo coronavírus

Fato é que, tanto na modalidade híbrida quanto na EaD, as ferramentas e tecnologias digitais têm permitido, na maioria dos casos, o acesso ao ensino superior. Isso é, dando continuidade ao processo de ensino-aprendizagem. Entretanto, há algumas melhorias a serem feitas quando o assunto é acessibilidade no ensino superior. Dentre elas está a inclusão dos alunos com deficiência.  

Expandindo essa realidade ao ensino presencial, percebemos também a importância de adaptação, pelas instituições de ensino, de seus processos. E, principalmente, de sua estrutura física com o intuito de abranger de forma efetiva esses estudantes. 

A diversidade tão discutida no cenário educacional deve ser traduzida em ações práticas de inclusão. O desafio de cada instituição, de cada sistema e do ensino superior como um todo está em incorporar a acessibilidade na cultura e torná-la um processo contínuo na gestão educacional. 

Para atingir esse objetivo, no entanto, a acessibilidade precisa ser incluída em diferentes esferas da rotina institucional. Desde as estratégias de TI, passando pelo Financeiro, o processo de ensino-aprendizagem e até mesmo as ações de Marketing.

O que significa ser acessível?

A deficiência configura-se como uma das principais barreiras para a educação em todo o planeta. E, em muitos casos, ela é um dos fatores que acabam privando o indivíduo do seu direito básico à educação. 

Quando falamos de acessibilidade no ensino superior, estamos nos referindo à criação de ações que atuem especificamente na inclusão de todos os grupos de alunos que apresentam algum tipo de deficiência. Em resumo, na prática, isso se traduz na criação de oportunidades reais de aprendizagem para aqueles tradicionalmente excluídos. 

Indo mais a fundo, significa pensar no aluno com deficiência em cada passo dado pela instituição de ensino. Seja ao (re)planejar a estrutura física, o arranjo e a disposição de móveis e equipamentos, o desenvolvimento de um website inclusivo e até mesmo a criação de posts nas redes sociais que possuam técnicas para inclusão. Como é o caso da estratégia do “pra cego ver”, utilizada por algumas empresas e instituições de ensino.

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Acessibilidade e evasão escolar

Os alunos com deficiência frequentemente não estão familiarizados com os recursos disponíveis em suas instituições de ensino. E, muitas vezes se sentem envergonhados de pedir ajuda. 

Além disso, infelizmente, é muito comum haver atraso escolar entre crianças e adolescentes que apresentam algum tipo de deficiência. De acordo com um estudo realizado pela Unicef e pelo Instituto Claro, que tem como base os dados do Censo Escolar 2018, a  taxa de reprovação entre estudantes com deficiência é de 13,8%, enquanto que para o grupo sem deficiência a taxa é de 8,7%.

Esses números podem ser causados – e/ou impulsionados – por diversos fatores. Seja o despreparo do corpo docente, a falta de estrutura e aporte financeiro para receber os alunos ou até mesmo a falta de incentivo e criação de ações para acompanhamento desses alunos.

Resultado? Com o tempo acabam desanimando pois sentem que não possuem o suporte necessário para continuar. O resultado, ao final, são taxas de evasão elevadas. 

Embora os alunos com deficiência enfrentam obstáculos adicionais, o uso de técnicas de ensino modificadas, aprimoramentos de tecnologias e profissionais preparados enfatiza que eles não precisam fazer parte dessa estatística.

Por que trabalhar a acessibilidade no ensino superior?

Em síntese, a acessibilidade preocupa-se em tornar as instituições de ensino inclusivas de todos os alunos elegíveis. Ou seja, não excluir ou priorizar um grupo em particular em detrimento de outro

Além disso, a acessibilidade no ensino superior oferece opções aos alunos. Isso porque eles não precisam distorcer a decisão por uma instituição de acordo com a quantidade de IEs que estão preparadas para recebê-los. 

O mundo mudou, hoje não há mais espaço para aquele antigo argumento de “não estamos prontos para te receber”. E as instituições de ensino que negligenciam isso, possuem grandes chances de entrar em processo de insucesso e até mesmo falir,  em um futuro bem próximo.

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Acessibilidade no ensino superior: base legal

A Lei Brasileira de Inclusão da Pessoa com Deficiência (Estatuto da Pessoa com Deficiência) garante que a educação é um direito da pessoa com deficiência:

Art. 1º É instituída a Lei Brasileira de Inclusão da Pessoa com Deficiência (Estatuto da Pessoa com Deficiência), destinada a assegurar e a promover, em condições de igualdade, o exercício dos direitos e das liberdades fundamentais por pessoa com deficiência, visando à sua inclusão social e cidadania.

Além disso, a Lei assegura que o sistema educacional deve ser inclusivo em todos os níveis. Ademais, deve proporcionar igualdade no que tange às oportunidades e inclusão das pessoas com deficiência: 

Art. 4º Toda pessoa com deficiência tem direito à igualdade de oportunidades com as demais pessoas e não sofrerá nenhuma espécie de discriminação.

Em seu site oficial, o MEC (Ministério da Educação) divulgou o Programa Incluir – Acessibilidade à Educação Superior. Dentre suas orientações, destaca-se o trecho abaixo:

O presente documento objetiva orientar a institucionalização da Política de Acessibilidade nas Instituições Federais de Educação Superior – IFES, a fim de assegurar o direito da pessoa com deficiência à educação superior, fundamentado nos princípios e diretrizes contidos na Convenção sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência (ONU 2006) e nos Decretos n°. 186/2008, nº 6.949/2009, nº 5.296/2004, nº 5.626/2005 e nº 7.611/2011.

Em suma, ele abarca ações que as IES devem realizar como forma de inclusão, ressaltando, dentre elas,  a disponibilização da Língua Brasileira de Sinais:

Dentre os recursos e serviços de acessibilidade disponibilizados pelas IES, destacam-se o tradutor e intérprete de Língua Brasileira de Sinais, guia intérprete, equipamentos de tecnologia assistiva e materiais pedagógicos acessíveis, atendendo às necessidades específicas dos estudantes. Assim, as condições de acessibilidade à comunicação e aos materiais pedagógicos se efetivam mediante demanda desses recursos e serviços pelos estudantes com deficiência, matriculados na IES e pelos participantes nos processos de seleção para ingresso e atividades de extensão desenvolvidas pela instituição. Cabe às IES a responsabilidade pelo provimento destes serviços e recursos em todas as atividades acadêmicas e administrativas.

Acessibilidade no ensino básico: números expressivos

De acordo com o Resumo Técnico do Censo Superior da Educação Básica de 2020, a quantidade de matrículas entre pessoas com deficiência apresenta um aumento significativo, principalmente na educação profissional concomitante/subsequente: 

O número de matrículas da educação especial chegou a 1,3 milhão em 2020, um aumento de 34,7% em relação a 2016. O maior número delas está no ensino fundamental, que concentra 69,6% das matrículas da educação especial. Quando avaliado o aumento no número de matrículas entre 2016 e 2020, percebe-se que as de educação profissional concomitante/subsequente são as que mais cresceram, um acréscimo de 114,1%.

Além disso, o documento ressalta que o número está em uma crescente, veja: 

O percentual de alunos com deficiência, transtornos do espectro autista ou altas habilidades matriculados em classes comuns, apesar de alguma variação, tem aumentado gradualmente para todas as etapas de ensino. Com exceção da EJA, as demais etapas da educação básica apresentam mais de 90% de alunos incluídos em classes comuns em 2020. A maior proporção de alunos incluídos é observada no ensino médio, com inclusão de 99,3%. O maior aumento na proporção de alunos incluídos, entre 2016 e 2020, foi observado na educação infantil, um acréscimo de 8,8 p.p.

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Como criar ações de acessibilidade no ensino superior? 

Como já mencionado anteriormente, o processo de inclusão deve ser um ato contínuo em sua IE. Isso significa que deve ser uma prática constantemente pensada. Ademais, deve ser incorporada nas ações e na rotina diária dos profissionais que compõem a sua instituição de ensino. 

Abaixo, reunimos alguns pontos de atenção que você não deve esquecer na hora de estruturar as suas ações de acessibilidade no ensino superior, observe:

  • Crie ambientes virtuais inclusivos

Como sabemos, o mundo está cada vez mais globalizado, as tecnologias estão a todo vapor e a conectividade já é realidade na vida de uma grande maioria de pessoas. Daí a extrema necessidade de adaptação dos ambientes virtuais.  

Pessoas com deficiência podem encontrar uma série de barreiras digitais ao utilizar a internet. Essas barreiras, por sua vez, podem vir em vários formatos. Vídeos que não estão devidamente legendados,  áudios que não são transcritos,  texto e páginas que não podem ser aumentadas, ausência de texto alternativo para imagens e conteúdo em movimento, entre diversos outros.

Portanto, ao projetar ou atualizar ambientes virtuais de aprendizagem com alunos com deficiência em mente, busque remover quaisquer obstáculos de aprendizagem que esses alunos possam enfrentar. 

  • Adeque o espaço físico

Além do ambiente digital, a estrutura física da instituição de ensino também é algo importantíssimo para a acessibilidade no ensino superior. Por isso, revise os elementos de acesso ao campus, incluindo edifícios e espaços abertos. Há rampas de acesso? Há orientações bem claras e didáticas? Há buracos e sobressaltos não sinalizados? 

Um bom exercício é sempre se colocar no lugar do outro, praticando a empatia. É claro, nunca seremos capazes de entender em plenitude o que o outro sente sem vivenciar a sua realidade, mas podemos tentar! Se preciso, feche os olhos, tape os ouvidos, experimente um cão guia… 

  • Capacite

Não adianta você querer mudar o seu ambiente escolar, se não contar com a sua equipe para isso. Afinal, acessibilidade é sinônimo de cooperação e de entender a dor do outro. 

Por isso, ofereça treinamento para o corpo docente. Incentive que eles estejam a par de como lidar com a acessibilidade no ensino superior. Pois, no fim das contas, são eles que estarão em contato direto com os alunos.

Se possível, estenda esse treinamento também a atendentes e demais funcionários. Eles também precisam estar preparados para atender da melhor forma possível os alunos ou pais de alunos, em caso de escolas.

  • Aloque recursos 

Reserve uma parte do orçamento para aumentar a disponibilidade de recursos e serviços para alunos com deficiência. Foque em serviços de aconselhamento, bibliotecas, desenvolvimento de carreira e centros de aprendizagem, por exemplo.

Além disso, atenção aos equipamentos. Sensores de presença para o acionamento de luzes e torneiras acionadas por botão ou por sensor de aproximação tendem a facilitar a movimentação. 

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  • Trabalhe o tema

Assim como ocorre com muitos gestores e profissionais da área educacional, a deficiência também pode ser fonte de muitas dúvidas entre os alunos que não a vivencia. 

Por isso, que tal promover palestras sobre o tema? Isso auxiliará tanto os alunos quanto os próprios funcionários da sua IE. 

  • Se preciso, redesenhe o layout dos equipamentos e móveis

Realize uma inspeção ao longo da disposição do mobiliário. Ele pode atuar como uma barreira para uma boa circulação? Se sim, é fundamental realizar uma mudança.

  • Ouça os alunos

Nada melhor para saber se suas ações de acessibilidade no ensino superior estão funcionando do que ouvir dos próprios alunos que estão em contato com ela e que as vivenciam. 

Por isso, realize pesquisas de satisfação, ouça o que os alunos com deficiência têm a dizer. Eles podem ser fonte de novas maneiras de inovar. Além de auxiliar, na prática, quem é verdadeiramente o foco das suas ações. 

Material complementar para enriquecer a sua experiência!

Como mencionado anteriormente, a empatia é uma prática muito importante quando o assunto é acessibilidade no ensino superior. Por isso, separei o nosso conteúdo detalhado sobre o tema como material complementar. 

Nele, elencamos conceitos importantes. Além de dicas para a sua instituição de ensino oferecer uma experiência de alto nível ao aluno através da empatia. 

Para conferi-lo, basta clicar na imagem abaixo!

Empatia na educação - Rubeus

Considerações finais

Espero que o nosso conteúdo sobre acessibilidade no ensino superior tenha sido fonte de muitos insights para você!

Por fim, quero te desafiar a compartilhar esse conteúdo! Envie-o para os outros membros da sua equipe. Assim seu time estará alinhado e crescerá junto. Além disso, não deixe de nos contar, nos comentários, o que achou!

Até a próxima!

Natália de Paula - Rubeus

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